Depressão e ansiedade na menopausa: causas hormonais e como tratar
Irritabilidade sem motivo aparente, choro fácil, tristeza que não passa, ansiedade crescente — se você está na perimenopausa ou menopausa e reconhece esses sentimentos, saiba que não está "ficando louca" e não é fraqueza. Há uma explicação biológica clara.
Estrogênio e o cérebro
O estrogênio não age apenas nos órgãos reprodutivos — ele age no cérebro. Ele regula a produção e ação de neurotransmissores diretamente ligados ao humor:
- Serotonina: o estrogênio aumenta a sensibilidade dos receptores serotoninérgicos. Com menos estrogênio, o humor fica mais instável.
- Dopamina: regula motivação, prazer e cognição.
- GABA: neurotransmissor inibitório que reduz a ansiedade. A progesterona (que também cai) é precursora de alopregnalonona, um potente agonista do receptor GABA.
- Noradrenalina: ligada ao estresse e regulação da temperatura.
Quais mulheres têm maior risco?
Pesquisa publicada no Archives of General Psychiatry (Cohen et al., 2006) mostrou que mulheres com histórico de depressão ou TPM têm 2 a 4 vezes mais chance de ter um episódio depressivo na perimenopausa. Mulheres sem esse histórico também têm risco aumentado — mas menor.
Outros fatores: eventos de vida estressantes, suores noturnos intensos (que fragmentam o sono), isolamento social e insatisfação com as mudanças físicas da menopausa.
Brain fog: a névoa mental da menopausa
Dificuldade de concentração, esquecimentos, lentidão para achar palavras — o chamado brain fog afeta até 60% das mulheres na perimenopausa. O estudo SWAN (Study of Women's Health Across the Nation) mostrou que o desempenho em testes cognitivos piora temporariamente na transição menopausal, mas tende a se recuperar na pós-menopausa.
Como tratar a depressão na menopausa
Avaliação médica
Primeiro passo: descartar hipotireoidismo (muito comum nessa fase e que imita depressão), anemia e deficiências de vitamina D e B12 — todas causam sintomas parecidos.
Terapia hormonal
Para mulheres elegíveis, a TH pode ser bastante eficaz na depressão perimenopausal, especialmente quando ligada à flutuação hormonal. Estudo publicado no JAMA Psychiatry (Gordon et al., 2018) mostrou que o adesivo de estradiol transdérmico reduziu a depressão em mulheres perimenopausais vs. placebo.
Psicoterapia
A TCC (terapia cognitivo-comportamental) tem eficácia bem estabelecida para depressão e ansiedade em qualquer fase da vida. Específica para a menopausa, ajuda a ressignificar essa transição.
Exercício físico
Meta-análise publicada no JAMA Internal Medicine mostrou que exercício regular tem eficácia comparável a antidepressivos para depressão leve a moderada — com benefícios adicionais para peso, sono e saúde óssea.
Nutrição para o humor
Ômega-3 (EPA principalmente), magnésio, vitaminas do complexo B e vitamina D têm evidências para suporte ao humor. O intestino produz 90% da serotonina do corpo — um microbioma equilibrado ajuda a saúde mental.
Nutrição interna na menopausa
Na menopausa, a demanda por micronutrientes aumenta justamente quando a absorção costuma cair. Biotina, zinco, selênio, vitaminas A, C, E e complexo B têm impacto direto na saúde de cabelos, pele e unhas — e são os que mais faltam nessa fase.
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Autora
Dra. Juliana Ramos
Ginecologista com foco em climatério e saúde da mulher acima de 40 anos. Membro da FEBRASGO.

